Bar de vinhos em Águeda com horário

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R. Vidoeiro 9, 3750-035 Águeda, Aguada de Baixo

963 353 686
A Adega Centenária Malápio, localizada em Aguada de Baixo, no concelho de Águeda, é um projeto vitivinícola familiar e independente que nasceu com um propósito claro e audaz: resgatar, preservar e valorizar a tradição milenar da vinificação em talhas de barro na Região Demarcada da Bairrada. Inserida numa zona profundamente ligada às dinâmicas da bacia do rio Cértima e moldada por solos argilo-calcários de excelência, a adega afirma-se como um bastião da vitivinicultura de artesanato e da filosofia de mínima intervenção em Portugal. O projeto, liderado pelo produtor Romeu Martins, é uma homenagem viva ao legado do seu avô Aristides, mestre do barro e artesão que outrora produzia o afamado vinho "palheto" regional seguindo os ensinamentos dos antigos. O coração da Adega Malápio bate ao ritmo dos métodos ancestrais. Num setor crescentemente mecanizado, a adega optou por fazer o caminho inverso, regressando às origens medievais da produção vinícola. O processo de vinificação assenta integralmente na utilização de talhas de barro. Estas talhas centenárias, algumas delas resgatadas de antigas olarias e regiões com forte tradição histórica como as terras de Tolosa, são meticulosamente preparadas antes de receberem o fruto. O revestimento interior do barro é feito de forma totalmente manual através de uma técnica tradicional de impermeabilização que utiliza unicamente cera de abelha pura e resina de pinheiro, eliminando qualquer tipo de componente químico ou sintético. A matéria-prima que dá vida aos vinhos Malápio provém de vinhas velhas centenárias de matriz medieval, algumas com idades estimadas entre os 100 e os 120 anos. Estas vinhas centenárias albergam cerca de 10.000 videiras plantadas em regime de "field blend", onde uma rica mistura de castas autóctones brancas e tintas coabita harmoniosamente no mesmo talhão. Entre as variedades preservadas destacam-se a Baga, a Touriga Nacional e o Bical, espécies emblemáticas da Bairrada que beneficiam de um ecossistema microclimático influenciado pelas brisas atlânticas e pela proximidade da cordilheira do Caramulo e do Buçaco. O manejo agrícola rejeita categoricamente o uso de herbicidas ou pesticidas sintéticos, priorizando a regeneração dos solos e o respeito pela biodiversidade local. O nome "Malápio" evoca, inclusive, as maçãs autóctones e perfumadas da Bairrada que antigamente cresciam nas bordaduras das vinhas e eram guardadas na escuridão das adegas sobre camas de palha. Na adega, a transformação das uvas segue preceitos rigorosos de baixa intervenção, contando com o aconselhamento e orientação metodológica do conceituado Professor Virgílio Loureiro. As uvas são desengaçadas e colocadas nas talhas, onde o vinho é sujeito a uma curtimenta prolongada com as películas. A fermentação ocorre de forma totalmente espontânea, recorrendo exclusivamente a leveduras indígenas e sem controlo artificial de temperatura, resultando em vinhos naturais, puros, autênticos e repletos de carácter. O resultado são lotes que expressam de forma nítida o terroir da Bairrada, oferecendo uma textura única, grande complexidade aromática e uma acidez vibrante que garante uma excelente evolução em garrafa.Para além da produção de vinhos de elite, a Adega Malápio destaca-se como um destino de enoturismo de referência na região centro de Portugal. A adega abre as suas portas diariamente a entusiastas, comitivas e famílias que procuram uma imersão cultural genuína e memorável. O portefólio de experiências inclui visitas guiadas conduzidas pelo próprio produtor, que guiam os visitantes pelas vinhas centenárias e pela adega histórica, explicando cada detalhe da arqueologia vinícola. As atividades estendem-se a provas comentadas de vinhos de talha DOC Bairrada, workshops de vindima durante o final do verão e passeios em veículos todo-o-terreno (4x4) pelas propriedades agrícolas .A vertente gastronómica complementa o ecossistema da Adega Malápio, associando os seus vinhos naturais / vinhos de talha bairrada Malápio ao prato mais icónico do território: o célebre Leitão Assado à Bairrada. A adega disponibiliza um serviço exclusivo de almoços e jantares por reserva, onde os visitantes podem saborear o leitão assado em fornos tradicionais a lenha de vide, acompanhado por batatas com pele, salada fresca e laranjas da região. A refeição é harmonizada com os vinhos da casa e culmina com uma seleção de doces conventuais típicos, como os Amores da Curia ou o Pastel de Águeda. Visitar a Adega Malápio é mais do que uma simples rota de degustação; é uma viagem multissensorial no tempo, onde o património líquido, a arquitetura rústica e a hospitalidade bairradina se cruzam de forma inesquecível.

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